Contemplar o Natal

– Eu vos anuncio uma grande alegria: Nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.
– Um Menino nasceu para nós: um Filho nos foi dado! Vinde todos adorar o Senhor! (Da liturgia do Natal)

Salve Maria, nossa Dulcíssima Esperança!

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, apresento este pequeno e piedoso livro do Padre Francisco Faus: Contemplar o Natal. Um breve roteiro para bem nos preparar para o Nascimento do Salvador, a fim de vivermos verdadeiramente este momento que não se trata de uma mera recordação, mas sim um acontecimento real em nossas vidas. E como aquecimento, contemplemos este trecho do Catecismo a respeito do mistério do Natal:

525. Jesus nasceu na humildade dum estábulo, no seio duma família pobre. As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite:

«Hoje a Virgem dá à luz o Eterno
e a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Cantam-n’O os anjos e os pastores,
e com a estrela os magos põem-se a caminho,
porque Tu nasceste para nós,
pequeno Infante. Deus eterno!»

ÍNDICE

Pórtico

1. A Aurora do Natal: Maria

2. José: O Amor Fiel. Um Homem Justo

3. Maria visita Isabel. Coração aberto ao Próximo

4. As Alegrias de Maria e Isabel. A Alegria do Espírito Santo

5. Os Pastores

6. As Portas de Belém

7. Jesus nasce em Belém

8. A Estrela dos Magos

9. A Adoração dos Magos

PÓRTICO

Padre Francisco Faus

O primeiro anúncio do Natal foi uma luz resplandecente no meio da escuridão do mundo. Naquela noite santa, havia nos arredores de Belém uns pastores, que vigiavam e guardavam seus rebanhos durante as vigílias da noite. E eis que, de repente, um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles (Lc 2,8-9).

Hoje também, quando o Natal se aproxima, vemo-nos rodeados de luzes: luzes de cores, luzes que piscam, luzes que giram formando mil desenhos… Luzes que convidam às compras, aos presentes, e às delícias da ceia de Natal…Tudo isso, com sobriedade e medida, é bom, sobretudo se assim se enriquece a alegria da celebração em família.

Mas dá pena ver que quase nenhuma luz é um apelo para celebrar o verdadeiro Natal:

Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todos: hoje nasceu para vós, na Cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor. Achareis um recém-nascido envolto em faixas de reclinado numa manjedoura (Lc 2, 10-12)

O Natal significa que Jesus, o Filho Unigênito de Deus, nasceu, e que, com Ele, se revelou o infinito Amor de Deus pelos homens:

Tanto amou Deus o mundo, que lhe deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16). O Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1, 14)

Isto é o Natal. E, ao vermos que muitos não o descobriram ainda, sentimos a necessidade de nos dirigirmos ao recém-nascido filho de Maria, e de lhe dizer:

«Jesus, no teu nascimento, será que nós vamos deixar-te encostado na sombra, excluído da Festa como se fosses um intruso?»

Não, não queremos!

É muito reconfortante ter presente que o Natal não é uma pura recordação, uma simples comemoração histórica. É real, é vivo, está acontecendo agora. Veja o que a fé nos ensina:

Tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1085)

Este livro que você tem nas mãos quer ser um apelo para que todos nos unamos aos pastores, e digamos com eles:

Vamos até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos manifestou (Lc 2, 15)