Parte II
Capítulo VII

Afinal, deve-se terminar a meditação por três atos que requerem uma profunda humildade. O primeiro é agradecer a Deus por nos ter dado profundo conhecimento de Sua misericórdia ou de outra de Suas perfeições, assim como pelos santos afetos e propósitos que Sua graça incutiu em nós.

O segundo consiste em oferecer à Sua divina majestade toda a glória que pode provir de Sua misericórdia ou duma de Suas perfeições, ofertando-lhe também todos os nossos afetos e resoluções, em união com as virtudes de Jesus Cristo, Seu Filho, e dos merecimentos de Sua morte.

O terceiro deve ser uma oração humilde, pela qual pedimos a Deus a graça de participar dos merecimentos de Seu Filho, a essência de Suas virtudes, e principalmente a fidelidade a nossas resoluções, que só podemos conseguir com a graça divina. Reza ao mesmo tempo pela Igreja, pelos superiores eclesiásticos, por teus pais e amigos e outras pessoas, implorando a intercessão de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos, e acaba recitando o Pater e Ave, que são as orações mais vulgares e necessárias aos fiéis.

Quanto ao restante, ainda te lembras do que disse acerca do ramalhete espiritual da meditação; vou repetir quase em poucas palavras o que penso sobre isso: quem passeia pela manhã num ameno jardim não sai satisfeito sem colher algumas flores, pelo prazer de lhes sentir o perfume pelo dia adiante; assim também deves colher o fruto da tua meditação, gravando no pensamento duas ou três coisas que mais te impressionaram e comoveram, para as considerar de novo de vez em quando, durante o dia, e para te conservares em teus bons propósitos. Faze isso no mesmo lugar onde meditas, passeando um pouco ou dum outro modo, com sossego e atenção.

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(SALES, São Francisco de. Filoteia ou a Introdução à Vida Devota. Editora Vozes, 8ª ed., 1958, p. 92-93)