Parte V
Capítulo XV

Ó santas resoluções, contemplo-vos como a santa árvore de vida que Deus plantou no meio de meu coração e que Nosso Senhor veio regar
com o Seu sangue, para que produza frutos abundantes. Antes mil mortes do que permitir que a arranquem de meu coração. Não, nem as vaidades, nem as delícias da vida, nem as riquezas, nem as aflições me obrigarão a mudar de intenções.

Ah! Senhor, é a Vossa bondade paternal que acolheu meu coração, por pior que seja, para trazer frutos dignos de Vós, a quem eu devo tudo isso. Quantas almas não tiveram esta felicidade! Quando, pois, poderei me humilhar bastante perante Vossa misericórdia?

Ó resoluções deliciosas e santas, se eu vos conservo, vós me conservareis a mim; se vós viveis em minha alma, minha alma viverá em vós. Ficai, pois, para sempre em meu coração, ó queridas resoluções, eternas que sois na misericórdia de Deus! Estai e vivei sempre em mim, que jamais vos abandonarei.

Depois destes afetos, será bom particularizar aqui os meios de conservar estes propósitos. São principalmente o uso frequente dos sacramentos, as boas obras, o cuidado de corrigir as faltas que reconhecemos ter cometido, a fuga das ocasiões más e a fidelidade em seguir os conselhos que nos derem.

Enfim, protesta vivamente milhares de vezes que hás de perseverar nestas resoluções; como se tivesses o coração nas mãos, oferece-o a Deus, consagrando e santificando-Lho inteiramente, dizendo que o pões nas Suas mãos, que jamais quererás retomá-lo, mas, sim, que queres fazer sempre e em toda parte a Sua santa vontade. Pede a Deus que te renove inteiramente e que te abençoe e conserve assim pelo poder de Seu espírito; invoca a Santíssima Virgem, teu anjo da guarda, os santos, São Luís e outros.

Nestas santas disposições, com o coração comovido pela graça, ajoelha-te aos pés de teu diretor espiritual; acusa-lhe numa confissão geral as faltas principais que notaste e, tendo pronunciado diante dele e assinado a protestação que tens feito, recebe a absolvição com esses mesmos sentimentos. Enfim, une o teu coração, assim renovado, a seu princípio e a seu Salvador pela recepção do sacramento da Eucaristia.

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(SALES, São Francisco de. Filoteia ou a Introdução à Vida Devota. Editora Vozes, 8ª ed., 1958, p. 359-361)