Category: Espiritualidade (page 2 of 50)

A parábola do semeador e a palavra divina

Parábola do Semeador e a Palavra Divina

Domingo da Sexagésima

Exiit qui seminat seminare semen suum – “Saiu o que semeia a semear a sua semente” (Lc 8, 5)

Sumário. Irmão meu, o Senhor semeia continuamente em tua alma a boa semente de sua palavra. Se não produzir o seu fruto, examina se por ventura há em ti algum dos impedimentos indicados no Evangelho. Examina sobretudo se há em ti apego às riquezas, às dignidades, aos prazeres, ou à outra criatura qualquer; pois que são estes os espinhos que não somente fazem perder o fruto da palavra de Deus, mas afinal muitas vezes impedem que Deus ainda fale à alma.
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Da gratidão para com as dores de Maria Santíssima

Nossa Senhora das Dores

Honora patrem tuum: et gemitus matris tuae ne obliviscaris – “Honra a teu pai e não te esqueças dos gemidos de tua mãe” (Ecle 7, 29)

Sumário. Posto que a morte de Jesus Cristo fosse suficiente para remir uma infinidade de mundos, quis todavia a Santíssima Virgem, pelo amor que nos tem, cooperar para a nossa salvação, preferindo sofrer toda espécie de dores a ver nossas almas sem redenção e na antiga perdição. É nosso dever respondermos a tamanho amor da Rainha dos Mártires, ao menos pela compaixão de suas dores e pela imitação de seus exemplos.
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Coração de Jesus, aflito pelo pecado de escândalo

Coração de Jesus, aflito pelo pecado de escândalo

Videte ne contemnatis unum ex his pusillis – “Vede, que não desprezeis um só destes pequeninos” (Mt 18, 10)

Sumário. O Filho de Deus baixou do céu à terra por amor das almas, levou durante trinta e três anos uma vida de privações, e de trabalhos, e afinal chegou a derramar por elas o seu preciosíssimo sangue. Julgai, por estas razões, quão amargo é o desgosto que os escandalosos causam a Jesus Cristo; por Lhe roubarem e mesmo matarem tantas filhas tão diletas. Para não amargurarmos mais esse Coração amabilíssimo, guardemo-nos de dar mau exemplo ao nosso próximo, ainda que seja em coisas leves.
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A santa Missa dá a Deus uma honra infinita

São Pio de Pietrelcina celebrando a Santa Missa

Laudate eum secundum multitudinem magnitudinis eius – “Louvai (a Deus) segundo a multidão da sua grandeza” (Sl 150, 2)

Sumário. Todas as honras que foram tributadas a Deus, e Lhe serão ainda tributadas por todas as criaturas, sem excetuar a divina Mãe, nunca poderão igualar a honra que Lhe é dado por uma única Missa, porquanto nesta é sacrificada a Deus uma vítima de valor infinito, que Lhe dá uma honra infinita. Que honra, pois, para nós, que se nos permite assistirmos cada dia e até mais de uma vez a este divino sacrifício! Ouçamos quantas Missas possamos, particularmente neste tempo do carnaval, para desagravar o Senhor dos ultrajes que recebe.
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O pecador não quer obedecer a Deus

O pecador não quer obedecer a Deus

A saeculo confregisti iugum meum, rupisti vincula mea, et dixisti: non serviam – “Quebraste desde o princípio o meu jugo, rompeste os meus laços, e disseste: não servirei” (Jr 2, 20)

Sumário. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus, como a seu supremo Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não quer obedecer-lhe, e cada vez que peca, diz por suas obras com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir ― Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam. Irmão meu, é isso o que tu também fizeste, se tiveste a desgraça de pecar.
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Comemoração da agonia e oração de Jesus no Horto

Agonia e oração de Jesus no Horto

Et factus in agonia prolixius orabat – “E, posto em agonia, orava (Jesus) com maior instância” (Lc 22, 43)

Sumário. Imaginemos ver a Jesus, que, pela previsão dos tormentos e ignomínias que o esperavam, e muito mais da ingratidão com que os homens lhe haviam de pagar, cai em agonia no Horto e sua sangue; mas nem assim deixa de rogar a seu eterno Pai. É este o exemplo que devemos seguir, quando nos achamos em aflição e desolação. Unamos então as nossas penas às de Jesus; mas não deixemos de orar e de repetir com Ele: Pai, seja feita a vossa vontade.
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Para ser santo é preciso desejá-lo muito

Quem quiser ser santo, deve desprender-se das criaturas, vencer as paixões, vencer-se a si próprio, amar as cruzes e sofrer muito

Beati qui esuriunt et sitiunt iustitiam; quoniam ipsi saturabuntur – “Bem-aventurados os que têm fome e se de justiça; porque eles serão fartos” (Mt 5, 6)

Sumário. Quem quiser ser santo, deve desprender-se das criaturas, vencer as paixões, vencer-se a si próprio, amar as cruzes e sofrer muito. Ora, o santo desejo, ao passo que nos dá força para praticar tudo isso, torna-nos a pena mais leve. Pode-se dizer que já é quase vencedor quem possui um grande desejo de vencer. Irmão meu, lança um olhar sobre a tua alma, vê se tens grande desejo da perfeição, e roga a Jesus e Maria que o façam sempre mais crescer em ti.
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A parábola dos operários e a recompensa divina

A Parábola dos Trabalhadores

Domingo da Septuagésima

Voca operarios et redde illis mercedem, incipiens a novissimis usque ad primus – “Chama os operários e paga-lhes o jornal, a começar dos últimos até os primeiros” (Mt 20, 8)

Sumário. A vinha do Senhor são as nossas almas; e Jesus Cristo, que é o grande Pai de família, nos chama em qualquer hora do dia e da maneira mais variada, para as cultivarmos. Irmão meu, examina-te sobre como até agora respondeste à voz de Deus. Se achares que foste negligente, recupera os anos perdidos, trabalhando com zelo dobrado, pensando que Deus mede a recompensa de seus servos, não tanto pelo tempo durante o qual, mas pelo modo como foi servido.
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Coração de Cristo, coração do mundo

Dom Henrique Soares da Costa
Por Dom Henrique Soares da Costa

Hoje, a Igreja celebra a Solenidade do Coração do Cristo Jesus.
Trata-se de uma belíssima devoção, bíblica, profunda, de forte sentido para a vida cristã. Para não ficarmos numa devoção magra, anêmica, meramente individualista e sentimental, vejamos alguns aspectos mais teológicos desta invocação.

Na antropologia bíblica “coração” indica o interior do homem, a sede de seu caráter, de sua personalidade, ali onde nascem os pensamentos e sentimentos mais profundos. O coração é a sede das decisões do homem, é o núcleo mesmo da sua personalidade.

Dizer “coração” é referir-se ao homem como ser que reflete e toma decisões com conhecimento de causa. Em outras palavras: enquanto nas línguas modernas o coração é, sobretudo, o órgão dos afetos, na linguagem bíblica, o coração é, principalmente, o órgão do pensamento, da opção, da decisão, dos afetos medidos e comedidos: dizer que alguém não tem coração é dizer que não tem juízo, que não conhece os próprios pensamentos!

No salmo 85/86,11 o autor sagrado suplica:

“Senhor, mostra-me Teu caminho e eu me conduzirei segundo a Tua vontade. Unifica meu coração para que ele tema o Teu Nome!”

Sendo o coração órgão da decisão e da vontade, o salmista pede que ele seja unificado para Deus.

O sentido seria mais ou menos este:

“Unifica-me a mim para Ti: que meus pensamentos estejam em Ti. Estando em Ti, como o eixo de minha vida, que eu seja inteiro, íntegro, senhor de mim. Assim, com um coração unificado, que eu possa estar todo inteiro diante de Ti, o Deus Um, todo inteiro dado a mim”

Resumindo tudo isto: na antropologia bíblica, dizer coração é dizer “eu”: o meu coração é o meu eu!

Se assim é o coração humano, como se manifesta o Coração de Cristo?

Seu coração humano – Ele amou com um coração humano! – é imagem do Coração do Pai, de modo que podemos afirmar que o Coração de Deus se manifesta no Coração de Cristo:

“Como o Pai Me amou, Eu também vos amei!”

Ora, em toda a Sua existência humana – no Seu ministério, nas Suas palavras, nos Seus milagres, nos Seus encontros com tantas pessoas diversas, nas Suas caminhadas pela Terra Santa -, Jesus revela o Coração do Pai… Basta pensar na parábola do filho pródigo, na qual Jesus procura explicar aos Seus adversários que age com amor e misericórdia porque o Pai faz o mesmo…

Portanto, no Coração compassivo, manso e sereno do Senhor Jesus, podemos entrever o quanto Deus é para nós ternura e carinho, acolhimento e perdão!

A Igreja compreendeu isto tão bem que coloca a seguinte antífona de entrada para a Missa do Coração de Jesus:

“Eis os pensamentos do Seu Coração, que permanecem ao longo das gerações: libertar da morte todos os homens e conservar-lhes a vida em tempo de penúria” (Sl 31/32,11.19)

É este o pensamento, o projeto do Coração do Pai Eterno, manifestado no Coração de Jesus: libertar e dar a Vida!

Contemplar o Coração de Cristo, manso e humilde, aberto na cruz para que recebamos a água que nos vivifica e o sangue que nos lava, significa experimentar, crer e anunciar que Deus, o Pai de Jesus, é amor e fonte de amor.

Este anúncio é tanto mais urgente e necessário quanto mais vemos um mundo, o nosso, ferido de coração. Ou não é um mundo machucado pela incredulidade, pela banalização de todos os valores, pela destruição platina e sistemática de tudo quanto é sagrado, pela solidão, pela violência, a fome e a pobreza, este mundo nosso? Como é pobre, como é miserável um mundo que pensa que a maconha plenifica a vida, que a libertinagem sexual é expressão de liberdade e maturidade, que a destruição da família é um bem! Como é triste um mundo que esvaziou o sentido profundo e comprometido da palavra amor…

Por mais que muitos psicólogos tentem, não são eles quem salvarão a humanidade: somente o amor verdadeiro dá sentido a todas as coisas! E é precisamente isto que o Coração de Jesus revela: que Deus é Amor e fonte de amor, do amor que se dá, se entrega e, dando-se é pleno; o Coração do Cristo revela que a paternidade do Pai do Céu é cheia de compaixão e misericórdia e abraça todas as criaturas. Do Seu amor ninguém é excluído (a não ser que se exclua a si mesmo, fugindo de Deus), do Seu carinho ninguém é esquecido!

Quem dera que este mundo, que corre o risco de se tornar sem coração, mundo cão, encontre no Coração de Cristo o descanso, a inspiração e a paz! Quem dera que aceitasse o convite de Jesus, sempre atual e desafiador:

“Vinde a Mim, vós todos os que estais cansados sob o peso o vosso farto e Eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração… E encontrareis descanso…” (Mt 11,28ss)

Festa de São Luiz Gonzaga

São Luís Gonzaga

Inspice et fac secundum exemplar, quod tibi in monte monstratum est – “Olha e faze segundo o modelo que te foi mostrado no monte” (Ex 25, 40)

Sumário. Felizes daqueles que estão ainda em tempo de poderem imitar São Luís na sua inocência! Se não somos deste número, procuremos ao menos imitá-lo na sua penitência. Depois de recuperada a graça divina pela confissão sacramental, conservemo-la pelos mesmos meios de que usou o jovem angélico para nunca a perder. Frequentemos sobretudo os sacramentos, sejamos devotos à Santíssima Virgem e recomendemo-nos cada dia a São Luís. Continue reading

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