Por Dom Henrique Soares da Costa

Assim diz o Eclesiastes (cf. 3,1-11):

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo o que acontece debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.

Que proveito tira o trabalhador de seu esforço? Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que Ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, Ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza”.

Que significam estas palavras?

O Autor sagrado, de coração apertado, procurando o sentido das coisas e da própria vida… Ele observa que nossa existência é feita de tempos: nascimento e morte, sorriso e pranto, paz e conflito, chegada e partida, princípio e fim… Tudo tão passageiro, tão vaidade…

Mas, o Eclesiastes tira lições preciosas de tudo isto:

(1) Se tudo passa, devemos aprender a enfrentar tudo sem absolutizar nada:
na tristeza, lembremo-nos que depois vem a alegria;
na alegria, recordemo-nos que mais adiante toparemos com a tristeza;
na fartura preparamo-nos para os momentos de penúria
e, na penúria não percamos a esperança e a força: virá um dia a fartura…
Assim, nem nos iludiremos, bêbados de saciedade, nem nos desesperaremos sobrecarregados pelos pesos da existência humana.

(2) O Autor sagrado também admite e diz claramente que as várias situações da existência nunca serão totalmente compreendidas por nós: “o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.”

São tantas perguntas: Por que aconteceu isto? Por que sou assim? Por que as coisas são assim? Por que Deus age desse modo? Perguntas, perguntas, perguntas…
Vislumbramos pontinhas de respostas, mas nunca nos apropriaremos do mistério da vida e da existência de modo total e pleno…

(3)
Então, o Autor sagrado dá um passo a mais, um salto na fé: sem compreender direito o como, o modo, ele afirma com serenidade e confiança segura: “Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que Ele fez são todas boas no tempo oportuno”.

Em outras palavras: há um desígnio, uma sabedoria de Deus por trás de tudo quanto existe e quanto nos acontece! Ainda que na vida haja escuridões e dores, ainda que nem tudo possa ser explicado, ainda que a existência seja um mistério, ainda assim, temos certeza de que tudo vem das mãos de Deus e tudo é radicalmente bom, pois em última análise, Deus sabe tirar o bem até dos males!