Meditação para o Dia 18 de Março

Ninguém se queixe de pouca inteligência ou pouca aptidão para isto ou aquilo, principalmente no serviço de Deus. Considerar-se assim é uma fonte de muita tristeza para quem não crê firmemente nos desígnios da Divina Providência. Se Nosso Senhor nos chama, pela obediência, para alguma obra ou trabalho superior às nossas forças, não desanimemos. O operário faz os seus instrumentos de tamanho, grossura e forma apropriados à obra que quer executar. Do mesmo modo, Deus nos distribui o espírito e os talentos segundo os desígnios que tem a nosso respeito, para o seu serviço, na medida da glória que daí quer tirar. Para que nos queixarmos de que não possuímos esta ou aquela aptidão, este ou aquele talento? O Divino Operário sabe o que faz! Para as obras Divinas, qualquer instrumento serve. E, em geral, o Senhor aproveita os piores, os mais miseráveis, para mostrar que a obra é toda Sua e não humana.

“Crede-me – dizia São Francisco de Sales – Deus é um grande Operário. Com pobres instrumentos, faz excelentes obras. Ele escolhe ordinariamente as coisas fracas para confundir os fortes, a ignorância para confundir a ciência e que nada é para destruir o que parece ser alguma coisa. Que não fez Ele com uma varinha na mão de Moisés e com uma caveira de burro na de Sansão? Por que venceu Holofernes senão pela mão de uma mulher?”

O operário bate, corta, aplaina, ajusta, ferindo a madeira, a pedra, o mármore. Deixemos que o Divino Operário trabalhe em nós. Que corte, fira, bata! Será para fazer-nos obras-primas da Sua Misericórdia.

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 89)