Meditação para o Dia 21 de Janeiro

Quando somos caluniados, nosso amor-próprio se revolta, porque nos sentimos rebaixados e humilhados pelos que anteriormente nos admiravam e não seriam capazes, sequer, de uma suspeita sobre o que se nos atribuem, com injustiça, numa calúnia. Tenhamos paciência! Caluniado, perseguido, foi Nosso Divino Redentor, e se calou. E os santos? O que sofreram! Santo Atanásio, perseguido, caluniado, viveu longos anos escondido e tratado como feiticeiro. São João Crisóstomo foi acusado como homem de maus costumes. A. S. Romualdo atribuíram um crime tão horroroso e bárbaro que chegaram a procurá-lo para queimá-lo vivo na praça pública. Tal a indignação causada pela calúnia! São Francisco de Sales gemeu durante três anos sob calúnia de ter relações criminosas com certa pessoa, e o santo tudo sofreu em silêncio. Santa Teresa e São João da Cruz chegaram a ser presos. E Santo Afonso? Sofreu tanto, a ponto de ser expulso da própria Congregação por ele fundada! E São Claret não foi chamado “o grande caluniado do século XIX”? Que boa companhia! Não queremos, pois, suportar uma leve suspeita, uma palavrinha pouco verdadeira sobre a nossa reputação? Ai! Como somos delicados! Quando formos caluniados, lembremo-nos, para nosso consolo, de que estamos em boa companhia!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 30)