Meditação para o Dia 15 de Março

Sonhadores, temo-los e muito. Há quem não seja amigo do bom senso e, em vez de se apegar à realidade das coisas, sonha e sonha doidamente. Na vida espiritual, sobretudo, é bem desastrado sonhar, abandonando a realidade da vida cristã. Os sonhadores não querem aceitar a penitência do cumprimento dos deveres de estado, monótonos, cheios de pequeninos sacrifícios e exigindo, por vezes, uma contínua abnegação. Entretanto, pensam em trapas, em conventos, em vida mística, em prodígios de apostolado, em uma santidade original, exótica, fora do comum. Certas almas sonhadoras, quando contrariadas, não atendem aos seus diretores espirituais. Desprezam os pequeninos sacrifícios quotidianos, sonham e têm a presunção de aspirar à penitência dos anacoretas. Dessas almas, escreveu São Francisco de Sales:

“Fazem grandes projetos de servir a Deus, por ações eminentes e sofrimentos extraordinários, para cuja execução talvez nunca se apresentem ocasiões. E, enquanto abraçam, na imaginação, cruzes que não existem, fogem, ardentemente, das que, bem menores, envia-lhes hoje a Divina Providência. Não é, pois, lamentável tentação ser tão valoroso em espírito e tão fraco diante da realidade? Livrai-nos, Deus, desses ardores de imaginação, que nutrem, muitas vezes, a secreta estima de nós mesmos” (1)

Deixemos o sonho de nossa presunção e abracemos as cruzes que, na realidade, achamos cada dia!

Nada de sonhos!

Referências
(1) “Traité d’Amou d Dieu” – I – XII – c.VC. (Tratado do amor de Deus)

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 86)