Meditação para o Dia 22 de Abril

Nosso Senhor abraçou amorosamente a cruz, levou-a até o Calvário e nela morreu por amor de nós. Por que ter medo da cruz? Santo André, ao vê-la, não pôde conter os transportes de júbilo de sua alma e exclamou:

“Ó boa cruz!” – Ó boa cruz!”

Boa cruz, diz o Apóstolo. E nós a achamos sempre tão má quando vem a hora de abraçá-la! Como somos fracos e imperfeitos! E o medo da cruz, diz o santo Cura d’Ars, é a nossa maior cruz. O sofrimento, quando acha almas decididas e corajosas que o enfrentem, fica sempre reduzido à metade. Nossos nervos e imaginação costumam exagerar muito o peso e o tamanho da cruz. Se soubéssemos o valor desta, andaríamos à sua procura como o avarento à procura do ouro. Quem menos sofre é quem não teme a cruz. Para fugir dela, atiram-se almas, como loucas mariposas, ao fogo de tanto falso brilho do mundo e dos prazeres e, pobrezinhas, sofrem mais. A cruz de Nosso Senhor é pesada, mas temos quem nos ajude a carregá-la. Ele mesmo, o nosso doce Jesus, transformado em Cirineu da Misericórdia depois de Sua paixão, vem carregar a nossa cruz ou, melhor, ajudar-nos a carregá-la até ao Calvário. E não quereis carregar, com o Vosso Pai Celeste, a cruz que Ele vos oferece com tanto amor e para o vosso bem, ajudando-vos, ainda, a carregá-la, como Divino Cirineu da Misericórdia?

Por que tanto medo da cruz?…

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 125)