Meditação para o Dia 07 de Março

Há sempre um vácuo no meu coração. Um abismo! Nada o pode preencher, nem a glória, nem o prazer, nem a ciência, nem a riqueza! No auge da glória, do prazer, da ciência, e da riqueza, ouço o pobre Salomão a gemer:

Vanitas vanitatem et omnia vanitas – “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”

Nada pode saciar um coração de ânsias infinitas, a não ser o Infinito, que sois Vós, só o Infinito, só Vós, meu Deus, que sois Tudo!

Compreende-se porque o Poverello de Assis transbordava de alegria, quando suspirava, dia e noite:

“Meu Deus e meu tudo!”

Compreende-se também a nostalgia de nossos corações, quando buscam felicidade neste mundo e voltam desolados e tristes. Não achamos tudo o que desejamos fora Daquele que só Ele é Tudo. A vida dos Santos é o desprezo de tudo por Aquele que é o “Tudo”. Só nisso se acha a paz, a felicidade, o paraíso na terra. E será alguém, neste mundo, mais feliz do que um santo? Um pouco antes de sua morte, perguntaram a São Tomás de Aquino se não tinha necessidade de alguma coisa.

“Não tenho necessidade de nada – respondeu o santo – logo terei tudo, gozarei o Bem supremo!”

Meu Deus e meu Tudo! Meu Deus, quero amar-Vos! Meu tudo, quero possuir-Vos!

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 78)