Meditação para o Dia 18 de Janeiro

A doença, olhada pelo prisma da fé, não é um mal. Deus a permite para nosso bem, para a salvação de nossa alma. Fere o corpo para que não morra a alma. Ela nos oferece grandes vantagens. Separa-nos dos loucos e pecaminosos prazeres do mundo. Abate o corpo, que é sempre instrumento do pecado. Afasta-nos das criaturas, da dissipação e de muitas faltas graves. Faz-nos pensar na eternidade e na loucura das vaidades humanas.

Quantas desilusões do mundo num leito de dores! Saber aproveitar as lições da enfermidade é receber uma multidão de graças escolhidas do Céu. São Francisco de Assis, em vez de se queixar na doença, exclamava, cheio de gratidão:

“Senhor, os sofrimentos que me enviais são, aos meus olhos, incomparáveis tesouros. Agradeço a Vossa Misericórdia Infinita, que me castiga neste mundo para me poupar na eternidade”

A doença é um purgatório antecipado, e mais eficaz e proveitoso do que o outro pelo qual teremos de passar, porque os méritos do sofrimento, neste mundo, pelos do sangue de Jesus Cristo, são de um valor incomparável para resgate de nossa dívida.

“Neste mundo, disse Santa Catarina de Gênova, as pessoas doentes acham o Purgatório no seu próprio corpo”

Por que não aproveitar a doença para a expiação, menos dolorosa e mais fácil e eficaz, de nossos pecados, tão grandes e numerosos?

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(Brandão, Ascânio. Breviário da Confiança: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 27)